Médica
Os dias estão passando e eu não contei algumas coisas da Fernanda que não quero deixar passar. Uma delas foi a gripe que a mocinha teve, começando dia 02 de maio, num domingo.
Falar de gripe? E isso lá tem graça? Mas a Fefê doente é sempre um evento raro, felizmente, e que nos proporciona mais um aprendizado e até alguns momentos doces de serem lembrados.
E sua paciente
Ela teve febre no domingo à noite. Como estávamos com visita em casa (os sempre presentes Cris/Jeff, Gabi/Urso) ela ficou no sofá da sala conosco, vendo desenho. Segunda passou o dia com aqueles sinais de gripe, um pouco de febre, nariz escorrendo, espirros. E no fim da tarde fomos ao pediatra, para confirmar que a coisa não passava disso, um forte resfriado.
No titio Renato a Fefelita nos deu mais uma aula. Vendo-a todos os dias a gente não percebe o quanto ela já cresceu, por isso em eventos não rotineiros é que a gente vê que o bebê já se tornou uma menina. Ela ficou brincando na sala de espera, bem alegre, sem nenhum sinal do medo ou do choro que antes acompanhavam as consultas. Quando entramos ela imediatamente sentou na cadeira que eu costumo sentar, colocou as mãozinhos na mesa e disse: “eu tô com guipe.” O Lê me cedeu a cadeira dele e ficou atrás da Fernanda. O Dr. Renato começou a conversar com ela, como faz habitualmente. A diferença foi que desta vez ela deu assunto.
Daí em diante eu e o Lê ficamos assistindo a mocinha responder atentamente às perguntas do tio Renato, e explicar bem direitinho o que ela tinha. E o diálogo dos dois foi longo: “Tá gripada Nanda? Tá com alguma dor?” “Sim.” “Onde?” Aí a Fefê apontou para o nariz. E o Dr. Renato insistiu: “E o ouvido, dói?” “Não.” “E a garganta?” “Não.”
O Dr. Renato pergunta bastante e não poupou a mocinha: “Tu conseguiu comer? Mamou? Tu dormiu bem? Foi na escola? Acordou no meio da doente? Tá com tosse?” E a Fefê só não tinha certeza se tinha acordado no meio da noite, o resto ela respondeu certo e com firmeza. E como boa filha de sua mãe, a mocinha acrescentava informações a algumas perguntas: “Eu tive febre. Aí eu não quis o termômeto. Eu biguei com a mamãe. Mas depois eu tomei o remédio, bem compotadinha. Eu sou corajosa.” É claro que aqui fica faltando toda a interpretação da Lilita, que sacode a cabeça, junta as mãozinhas e muda o tom de voz pra contar algumas coisas. O Dr. Renato falava com ela como fala com a gente: “Mas como brigou com a mamãe, Nanda? A tua mãe é tão querida, te amamentou, cuida tão bem de ti!” “É que eu não queria tomá remédio.” “Mas quando tá com febre tem que tomar, Nanda.” E a mocinha arrematou: “É impotante. Pecisa tomá remédio!”
Porto - (indo pra feira Brasil Rural em 15.05.2010
O Dr. Renato ainda examinou a menina, que riu das cócegas, reclamou um pouco de ficar deitada, mas fez tudo bem certinho, sem medo e sem briga. Eu e o Lê ficamos assistindo e babando.
A febre acabou na terça à noite, na quinta começou uma tosse chatinha, mas ela já pôde ir para a aula. No domingo já estava ótima, e mais uma vez percebemos como ela é forte, não teve nada mais sério e curou a gripe só com antitérmico. E no decorrer da semana vimos a pequena passar da briga por causa do termômetro e do remédio ao entendimento de que sim, é importante. Na terça a gente falava que era hora do remédio e ela vinha por conta própria, corajosa como ela diz, tirava o bico e abria um bocão, segurando seu copo dágua pra coisa ficar mais rápida.
E tudo acabou com uma frase doce, da menina mais doce do mundo: “Eu vou ensiná o Eduardo mamãe, que é impotante tomá o remédio quando tá com febre.”


2 comentários:
bia menininha é uma graça, ou mesmo, um gênio
a mamãe escreve maravilhosamente ...
bjs
Queridos,
lendo estas historinhas da Fefelita, muito bem narradas pela sua mami, fico imaginando o João Pedro nesta idade. Que coisa gostosa.
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